Wikis, blogs e sistemas de videoconferência facilitam e potencializam estratégias de aprendizagem
Segundo dados da pesquisa realizada pelo Ibope em março deste ano, mais de 29 milhões de pessoas acessam a Internet no Brasil. Os números estão crescendo, o que significa que cada vez mais pessoas estão tendo acesso à cultura e às tecnologias digitais, como pretende o projeto Sociedade da Informação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Mas o que falta realmente para que a utilização da educação a distância seja ampliada no Brasil? Heloisa Arruda, coordenadora pedagógica do Núcleo de Tecnologias Aplicadas à Educação do Senac São Paulo, explica que muitas instituições de ensino ainda têm concepções equivocadas sobre esta modalidade educacional e, por isso, utilizam técnicas de aprendizagem incorretas. “Um grande problema, por exemplo, está relacionado aos modelos que envolvem muitos alunos para apenas um tutor, que fica sem condições de dar muita atenção aos processos de ensino-aprendizagem”.
De fato, a educação a distância pode realmente auxiliar a disseminação da educação e cultura no País. E esta é uma opinião unânime entre educadores e especialistas do setor, incluindo Gley Fabiano Cardoso Xavier, membro do Comitê de Qualidade da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED). “Para que esta ideia aconteça, é necessário ter iniciativas educacionais voltadas às regiões e pessoas que não têm acesso à modalidade presencial, seja com a utilização de tecnologias simples ou sofisticadas”, diz.
Para o especialista, a infraestrutura de um projeto de EAD está diretamente ligada ao seu público-alvo e aos objetivos a serem alcançados. Portanto, em primeiro lugar, é necessário definir este público de forma detalhada, considerando todas as variáveis sociais, econômicas e culturais. “É preciso manter o foco em quatro pilares importantes: mercado, pedagogia, tecnologia e operação. E estes itens são complementares e transdisciplinares para a construção e aplicação de um bom programa”, explica.
Heloisa Arruda lembra que também é fundamental investir na formação técnica dos docentes. “A inovação surge com a criatividade de planejar aulas com diferentes estratégias de aprendizagem, por meio do uso dos recursos disponíveis. Além disso, não se pode esquecer dos professores, já que eles irão possibilitar bons resultados pela prática pedagógica”, conta.
Nessa busca pelo desenvolvimento das melhores práticas, a tecnologia pode resolver problemas, além de potencializar a metodologia já utilizada. “Na educação a distância, a tecnologia permite melhorar a interação entre pessoas que estão distantes e aproximar pessoas e conteúdos”, diz a coordenadora.
Como exemplos de ferramentas colaborativas já disponíveis aos usuários, sites de relacionamento como Facebook e Orkut, podem ser usados para o intercâmbio de informações e, também, para que os próprios alunos se conheçam e interajam.
As ferramentas wiki, por sua vez, possibilitam que os alunos trabalhem em colaboração, realizando consultas e construindo documentos em conjunto. E a Internet oferece diversos recursos gratuitos, como TWiki e TikiWiki, entre muitos outros.
Blogs convencionais e miniblogs, como o Twitter, chats e fóruns de discussão são outras ferramentas que podem ajudar a potencializar o processo de ensino-aprendizagem de alunos localizados nas mais variadas regiões do Brasil.
Com relação à realidade virtual, o SecondLife – e outros simuladores que podem ser criados com a ajuda do programa Blender - possibilitam maior interação dos participantes com o conteúdo de um curso, por exemplo, e também com outros alunos.
A utilização de sistemas de vídeo e teleconferência, por sua vez, permite que docentes distantes compartilhem arquivos de imagem e áudio para discutir diversos temas, em tempo real, com grandes grupos de alunos. “Mas é preciso ter atenção na produção e proposta de uso destes sistemas. Pois a utilização de teleconferência demanda maiores recursos de produção, além de investimentos em infraestrutura”, alerta Xavier.
Várias ferramentas colaborativas disponíveis estão despontando como soluções importantes para potencializar as estratégias de aprendizagem. Muitas destas tecnologias estão prontas e disponíveis na Internet. Mas a recomendação é que os docentes analisem cuidadosamente os recursos tecnológicos disponíveis, justamente para adequá-los ao projeto pedagógico em questão. Pois, caso não atendam às suas necessidades, será necessário contratar uma equipe multidisciplinar para desenvolver ferramentas mais adequadas.
Por isso, Xavier sugere que toda instituição faça seu “dever de casa”, pesquisando o potencial pedagógico de cada tecnologia antes de adotá-la para a produção e aplicação de qualquer conteúdo pedagógico. “Agindo desta forma, certamente, as instituições poderão evitar problemas e criar diferenciais em seus cursos”, finaliza.
Fonte: Newsletter SENAC - Setembro/2009 - Universo EAD